O Partido Socialista Brasileiro (PSB) oficializou, nesta segunda-feira (3), a candidatura de Ricardo Cappelli ao Governo do Distrito Federal (GDF) durante convenção realizada no auditório da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), no campus Darcy Ribeiro. O encontro reuniu militantes, dirigentes e lideranças do partido e consolidou o discurso de oposição ao grupo político formado pelo ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e pela governadora Celina Leão (PP).
Além da homologação das candidaturas proporcionais, a convenção foi marcada por críticas ao escândalo envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, ao cenário da saúde pública, ao transporte coletivo e pela defesa da construção de uma frente entre partidos do campo progressista para a disputa eleitoral deste ano.
O tom das falas foi de enfrentamento à gestão de Ibaneis Rocha e Celina Leão. As lideranças apontaram o caso envolvendo o BRB como símbolo do que classificaram como o enfraquecimento dos serviços públicos no Distrito Federal.
O presidente do PSB-DF, Rodrigo Dias, afirmou que a eleição representa uma oportunidade para mudar o modelo de gestão adotado pelo atual governo. “Não podemos permitir que o Distrito Federal continue na mão daqueles que transformaram a nossa cidade num verdadeiro balcão de negócios. Um governo que tirou mais de R$ 6 bilhões da nossa cidade para beneficiar amigos empresários, recursos que poderiam estar sendo investidos na saúde, na educação e no transporte público”, afirmou.
O candidato ao Governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, concentrou suas críticas na condução do BRB e defendeu a punição dos responsáveis pela crise da instituição. “O governo Ibaneis/Celina comandou a roubalheira no BRB. Para resolver isso, primeiro precisa responsabilizar as pessoas que comandaram essa roubalheira. Depois, recuperar o dinheiro que foi desviado e acabar com os excessos dentro do banco”, declarou.
“O que o BRB está fazendo com agências em outros estados? O que está fazendo patrocinando Fórmula 1, Fórmula E e campeonato de veleiro em Dubai? O BRB tem salvação com gestão séria, recuperando o dinheiro desviado e responsabilizando aqueles que comandaram essa roubalheira”, acrescentou Cappelli.
Serviços públicos
As críticas também foram reforçadas pelo ex-governador e candidato a deputado federal Cristovam Buarque, que relacionou o escândalo do banco ao cenário dos serviços públicos no Distrito Federal. “Nós não aceitamos deixar o Distrito Federal nas mãos de ladrões de banco. Além de corruptos, são desorganizadores e desestabilizadores da cidade. O Distrito Federal continua nas mãos daqueles que roubaram o nosso banco, venderam patrimônio público e depredaram a educação, a saúde e a segurança”, afirmou.
Na avaliação do ex-governador, Ricardo Cappelli reúne as condições para liderar a oposição por ter sido um dos primeiros a denunciar o caso envolvendo o BRB e o Banco Master.
“Quando o escândalo do Master começou, apenas duas pessoas assumiram essa luta com firmeza: Rodrigo Rollemberg e Ricardo Cappelli. Foram eles que enfrentaram esse esquema desde o início. Hoje, Cappelli representa a cara da oposição a Ibaneis e Celina e, por isso, é quem reúne as melhores condições para liderar o campo progressista”, defendeu.
Saúde, transporte e educação
A saúde, a educação e a mobilidade também estiveram entre os principais temas abordados durante a convenção. Ao comentar a situação da rede pública de saúde, Ricardo Cappelli criticou o déficit de profissionais e as filas para consultas e cirurgias.
“Hoje temos mais de 33 mil pessoas aguardando uma cirurgia, 120 mil esperando uma consulta ou exame com especialista. Estão faltando 5.200 médicos, mais de 4 mil técnicos de enfermagem e mais de 2 mil enfermeiros. O orçamento da saúde é de R$ 1 bilhão por mês. Para onde está indo esse dinheiro?”, questionou.
Na educação, Cappelli criticou a desigualdade na estrutura da rede pública entre o Plano Piloto e as demais regiões administrativas. “Por que a média de alunos por sala no Plano Piloto é de 17 estudantes e, em São Sebastião, Santa Maria, Paranoá e Sol Nascente, chega a 35? Eles pagam imposto diferente?”, questionou.
A mobilidade urbana também entrou no centro das críticas durante a convenção. Rodrigo Rollemberg voltou a mencionar o episódio da compra de um embrião bovino em sociedade entre a governadora Celina Leão e um empresário do setor de transporte.
“A governadora está preocupada em comprar embrião de vaca do governador Ibaneis por R$ 500 mil em sociedade com um empresário de ônibus que recebe centenas de milhões de reais em subsídios do governo. Isso é uma imoralidade”, criticou.
Protagonismo feminino e campo progressista
A deputada distrital Dayse Amarílio, candidata à reeleição, afirmou que o PSB fez oposição às medidas defendidas pelo governo durante a crise envolvendo o BRB e criticou propostas que, segundo ela, retiravam recursos da saúde e da educação.
“Quando veio a proposta envolvendo o Master, nós dissemos não. Quando tentaram usar terrenos públicos para pagar uma dívida que não era nossa, nós dissemos não. Quando apresentaram propostas retirando recursos da saúde e da educação, nós fomos à Justiça, lutamos e derrubamos essas medidas. Fizemos uma oposição consciente e coerente porque política também é uma forma de cuidar”, afirmou.
A parlamentar também destacou os desafios enfrentados pelas mulheres na política. “Para as mulheres esse desafio é ainda maior. É um espaço marcado por muita violência política, mas nós vamos enfrentar isso com coragem porque lugar de mulher é, sim, na política”, declarou.
A unidade entre os partidos do campo progressista também esteve presente nos discursos da convenção. Cristovam Buarque defendeu que Ricardo Cappelli reúne as melhores condições para liderar esse processo.
“Se os outros partidos forem divisionistas, é possível que o nosso candidato nem chegue ao segundo turno. Mas, se não for Ricardo Cappelli o candidato das forças progressistas, dificilmente esse campo vencerá a eleição. Nós temos o melhor nome e precisamos construir essa unidade para derrotar o grupo que governa o Distrito Federal”, defendeu.
Candidaturas
Além da candidatura de Ricardo Cappelli ao Governo do Distrito Federal, a convenção homologou as chapas do PSB para a Câmara dos Deputados e para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Na disputa por vagas na Câmara dos Deputados, o partido lançou nove candidatos:
- Rodrigo Rollemberg, Cristovam Buarque, Professor Israel, Dani Freitas, Dani Solta o Verbo, Professor Gadelha, Carla Gehlen, Raquel Medeiros e Wender.
Para a Câmara Legislativa, o PSB confirmou 17 candidaturas:
- Dayse Amarílio, Rodrigo Dias, Sofia Carvalho, Professora Jéssica Motta, Mari Jow, Lenne Evangelista, Nay do Acarajé, Múcio, Raphael Sebba, Fernando Freitas, Bernardo Moreira, Professor Douglas, Pablo Feitosa, Professor Aharom, Bartolomeu Bartô Rodrigues, Guilherme Carvalho e Dennis Web.
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