Região

Contaminação por mercúrio detectada em aldeias indígenas na Bolívia

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Estudos científicos na Bolívia confirmam altos níveis de contaminação por mercúrio em quatro comunidades indígenas que residem nas bacias dos rios Beni, Mamoré e Madre de Dios. A análise utilizou amostras de cabelo, revelando níveis acima de dois limites aceitáveis em 74% a 96% de seus habitantes.

“Em todas as comunidades onde foram realizadas [as pesquisas], foi encontrada uma poluição várias vezes maior do que o que a Organização Mundial da Saúde considera um nível aceitável”, relatou Pablo Villegas, do Centro Boliviano de Comunicação e Informação.

Segundo o estudo, a principal fonte de contaminação é o consumo de peixes expostos a resíduos de mercúrio despejados nos rios por cooperativas de mineração que exploram ouro ilegalmente.

Especialistas explicam que o consumo de peixe, prática tradicional às margens dos rios amazônicos, contribui para a contaminação. Pesquisas recentes revelaram que peixes herbívoros, mais consumidos na bacia do rio Madre de Dios, são menos contaminados, enquanto os estudos sobre peixes carnívoros apresentam resultados variados, refletindo diferenças no nível de poluição em cada região. “Isso explicaria por que há mais contaminação nos cabelos de pessoas que vivem na bacia do rio Beni do que na bacia do Madre de Dios”, observa o pesquisador médico Roger Carvajal, da Universidade Estadual de San Andrés.

Especialistas denunciam que a mineração de ouro não beneficia o povo boliviano. “Somos todos cúmplices em nosso silêncio. Estamos extraindo ouro, ouro que não beneficia o povo boliviano. Acreditamos que sim, nos fazem acreditar nisso, mas é mentira. Quem leva o ouro não paga nem um quarto dos impostos que pagamos”, enfatizou Tito Estévez, vice-reitor da Universidade Estadual de San José, em La Paz.

A Universidade Estadual de La Paz propôs pelo menos três métodos para substituir o mercúrio na mineração de ouro, mas as cooperativas mineradoras os rejeitaram. Apesar de permitirem a recuperação de mais minério, exigiriam um investimento prévio.

As chamadas cooperativas de mineração detêm poder econômico e exercem pressão social devido ao seu grande número, o que faz com que os governos cedam às suas demandas e não tomem medidas para modificar sua forma de trabalho.





Com Informações: Brasil de Fato

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