Uma carta militar enviada por Napoleão Bonaparte a um de seus generais em 1809, mantida sem leitura por 217 anos, foi decifrada com o auxílio de inteligência artificial. O documento era destinado ao marechal Auguste de Marmont durante os preparativos para a guerra contra a Áustria e constava na lista de cifras históricas não resolvidas do site Cryptiana há décadas.
A mensagem original começava com apenas uma linha em francês legível, seguida por 24 linhas compostas por números, letras e símbolos inventados e desenhados à mão. Registrada em uma reprodução de baixa resolução publicada em 1969, a carta continha cerca de 1,3 mil sinais criptografados.
A automação e o processo do GPT-6 Astra
O processo de decodificação foi conduzido pelo engenheiro de inteligência artificial Carter Church, utilizando o modelo de linguagem GPT-6 Astra, desenvolvido pela OpenAI (criadora do ChatGPT). A partir de uma única imagem e de um único comando (prompt), o modelo executou um fluxo de trabalho multimodal completo em aproximadamente seis horas.
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Durante essa execução, o sistema transcreveu os 1,3 mil caracteres manuscritos, identificou uma chave parcial que anteriormente não estava associada ao documento e utilizou um algoritmo de simulação de recozimento (simulated annealing) para quebrar o restante do código.
Além disso, a ferramenta cruzou informações de outras cartas do mesmo período para corrigir a data de publicação do documento histórico.
O conteúdo revelado e o trecho inédito
A mensagem decifrada trata-se de um relatório militar de guerra enviado duas semanas antes da invasão austríaca. A resolução da cifra também permitiu preencher uma lacuna histórica nas memórias de Napoleão publicadas em 1865.
Nas memórias oficiais, a ordem dada ao marechal Marmont interrompia-se no meio de uma frase, afirmando que o militar não deveria ser contido por “um punhado de…”. Com a decodificação da carta, o trecho final foi revelado na íntegra, indicando que a frase se completava com “um ajuntamento de plebeus”.
Impacto da tecnologia na pesquisa histórica
A solução do enigma foi confirmada e validada pelo especialista Satoshi Tomokiyo, que marcou o caso como oficialmente resolvido no repositório Cryptiana. Embora a cifra em si não fosse considerada extremamente complexa para criptógrafos humanos, a transcrição, catalogação, tradução e análise cruzada exigiam um trabalho multidisciplinar extenso.
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A aplicação do modelo automatizou etapas trabalhosas de pesquisa, demonstrando como ferramentas de inteligência artificial podem ajudar pessoas curiosas a resolver pendências e problemas históricos negligenciados por falta de tempo de especialistas.













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