Os combustíveis vendidos pela Refinaria de Mataripe voltaram a ficar mais caros na Bahia a partir desta quinta-feira (12). Nos preços divulgados pela Acelen para embarque em São Francisco do Conde, a gasolina A passou de R$ 3,0518 para R$ 3,2781 por litro, alta de R$ 0,2263 ou 7,4%.
O diesel S500 saiu de R$ 4,0841 para R$ 4,8986 por litro, avanço de R$ 0,8145 ou 19,9%. Já o diesel S10 subiu de R$ 4,1816 para R$ 4,9961 por litro, também com acréscimo de R$ 0,8145, o equivalente a 19,5%. Os valores da tabela da Acelen são publicados em R$/m³ e, nesta reportagem, foram apresentados em valor equivalente por litro.
Com a nova rodada, a gasolina A já acumula alta de 29,3% desde 5 de março. No diesel, a escalada é ainda mais forte: na comparação com 4 de março, antes da sequência mais recente de reajustes, o S500 avança 53,9% e o S10 sobe 52,3%.
O novo movimento amplia a pressão sobre a cadeia de distribuição no estado e tende a manter o repasse nas bombas nos próximos dias, embora o preço final ao consumidor ainda dependa de frete, mistura obrigatória, tributos e margem das distribuidoras e dos postos.
Desde 2021, a Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde, deixou de ser controlada pela Petrobras e passou a operar sob gestão privada da Acelen, empresa do fundo Mubadala. Por isso, os preços praticados na refinaria baiana não estão vinculados à política comercial da Petrobras e podem reagir de forma diferente, e até mais rápida, às oscilações do mercado internacional de petróleo, do câmbio e da paridade de importação.
Diesel sem impostos federais
No Brasil, o governo federal anunciou nesta quinta-feira a retirada do PIS/Cofins sobre o diesel e a criação de uma taxa temporária sobre exportações de petróleo, em uma tentativa de reduzir o impacto da disparada internacional sobre o mercado doméstico. As medidas foram apresentadas como uma resposta emergencial à alta do petróleo e ao encarecimento do diesel no país.
Na prática, porém, o alívio prometido pelo governo atua sobre o diesel e não atinge diretamente a gasolina, que também voltou a subir na Bahia nesta nova rodada da Acelen. Além disso, o repasse ao consumidor dependerá do comportamento de distribuidoras e revendedores. A Petrobras, por sua vez, ainda não anunciou reajuste semelhante e segue sustentando a estratégia de não transferir imediatamente oscilações bruscas do mercado internacional para os preços internos.
Petróleo a quase US$ 120
O novo aumento ocorre em meio à continuidade da crise no mercado internacional de petróleo. Na segunda-feira (9), o Brent chegou a US$ 119,50 por barril, maior nível intradiário desde 2022. O fechamento prático do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do fluxo diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito, agravou o cenário.
Em relatório divulgado nesta quinta, a Agência Internacional de Energia afirmou que o conflito no Oriente Médio provocou a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo.
Para o consumidor baiano, o efeito imediato é de continuidade da pressão sobre os combustíveis. Como a Refinaria de Mataripe tem peso direto na formação dos preços no estado, a nova correção da Acelen reforça um cenário de altas sucessivas em poucos dias, sobretudo no diesel, que já vinha sendo pressionado pelo choque externo e pela maior sensibilidade às cotações internacionais.













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