Um cavalo adquirido por cerca de US$ 10 milhões chega ao Kentucky Derby deste ano como uma das histórias mais curiosas — e improváveis — da competição.
A parede do fundo do escritório de Bob Baffert em Churchill Downs é totalmente coberta por uma impressão personalizada, criada por sua esposa Jill enquanto reformava seu espaço na pista.
Em uma tarde recente de primavera, Baffert foi até seu estábulo na Califórnia para visitar um potro recém-adquirido. O cavalo havia acabado de galopar em Santa Anita, confirmando o que o treinador percebeu desde a primeira vez que o viu — que se tratava de um verdadeiro atleta, com todas as ferramentas físicas para fazer algo mágico.
Mas, de volta à baia, Baffert percebeu algo mais. O cavalo praticamente olhou o treinador nos olhos, transmitindo uma mensagem que ele interpretou imediatamente.
“É como se ele soubesse que é durão”, disse Baffert à CNN Sports nesta semana, enquanto estava em seu escritório na área interna de Churchill Downs. “Os grandes, eles sabem. Sabem que são durões.”

Venda milionária
Baffert não completou a frase, mas o subentendido pairava no ar em seu escritório: ele precisa ser mesmo. O cavalo, desde então batizado de Zedan, foi vendido em abril por US$ 10,5 milhões no leilão da Ocala Breeders’ Sale, na Flórida.
Trata-se do segundo maior valor já pago por um cavalo de dois anos na história da América do Norte, atrás apenas de um animal chamado The Green Monkey, vendido por US$ 16 milhões em 2006.
A compra de cavalos é, de fato, um luxo reservado aos extremamente ricos. Os animais são adquiridos com base em pouco mais do que esperança e expectativa — muito menos do que uma garantia de retorno sobre o investimento.
Um cavalo vale apenas o quanto alguém está disposto a pagar por ele, valor frequentemente determinado por pedigree e potencial. Zedan é filho de Flightline, o Cavalo do Ano de 2022, que se aposentou invicto após seis corridas, e sua mãe vem da linhagem de Into Mischief, o principal garanhão da atualidade.
“Eu não diria que estou com fome de vencer um Derby; estou faminto”, disse Zedan à CNN Sports.
Leilão e compra
Ele confiou em Baffert e no agente Donnato Lanni para avaliar corretamente o cavalo e entrou na disputa consciente de que haveria uma guerra de lances.
Lanni conduziu os lances, superando tanto a Lane’s End, uma fazenda em Versailles, Kentucky, quanto um consórcio de proprietários do Jockey Club que uniram recursos para tentar adquirir o animal. Baffert acompanhou tudo de seu laptop na Califórnia, rindo quando o painel com o preço do cavalo apresentou uma falha momentânea.
“Acho que nunca tinha chegado tão alto assim”, brincou Baffert.
Os números continuaram subindo — sete, oito milhões — até atingir o lance vencedor de Zedan.
“Algumas pessoas acham que sou louco”, disse o empresário. “Mas, novamente, me cerquei de profissionais. Isso reduz o risco. E o cavalo não sabe quanto custa, certo?”
Por enquanto, Baffert mantém o animal sob observação, garantindo que permaneça em forma e saudável. Em algum momento, ele o colocará para competir e verá se o investimento valeu a pena.
Para efeito de comparação, The Green Monkey, o cavalo de US$ 16 milhões, estreou em setembro de 2007 como favorito absoluto, mas terminou em terceiro.
Um mês depois, em uma corrida de sete furlongs para animais ainda sem vitória, ficou em quarto entre sete competidores. Pouco depois, foi aposentado para reprodução, sem sucesso também nessa área, e em 2018, após lutar contra laminite, foi sacrificado.
“Eu tento ser muito cauteloso”, afirmou Zedan. “Quero que ele seja saudável, sem azar, e levá-lo às pistas. Espero que seja bom para nós, bom para a indústria e um bom garanhão no futuro. Mas só o tempo dirá, certo?”













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