A Polícia Civil do Rio investiga o vídeo em que um homem negro aparece sendo conduzido por uma corrente no ato de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), então candidato à Presidência da República, na véspera da eleição. O vídeo foi gravado pelo jornalista Raphaël Bernard e publicado pela revista Fórum no último sábado (24), durante uma caminhada de campanha na Barra da Tijuca.�
Na gravação, um homem branco identificado como Carlos Eduardo Martins aparece segurando a corrente. O homem negro, por sua vez, aparece com adesivos relacionados ao Partido dos Trabalhadores (PT) e segura um tridente.�
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O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias. No vídeo, Carlos Martins se refere ao homem negro como “Luladrão”, “Satanás” e “Capiroto”.
O episódio racista teve ampla repercussão nas redes sociais. Flávio Bolsonaro estava em um trio elétrico acompanhado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).
A passeata bolsonarista teve início na Praia do Ó e fez um trajeto de cerca de 1 km. O encerramento do ato foi na frente do condomínio Vivendas da Barra, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro foi vizinho do assassino de Marielle Franco, Ronnie Lessa.
Racismo
No dia seguinte às cenas, no domingo (25), a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, enviou um pedido de investigação sobre racismo ao Ministério da Justiça e Segurança e à Procuradoria Regional Eleitoral no Estado do Rio de Janeiro.�
“É inaceitável que uma pessoa negra seja acorrentada e humilhada, especialmente por reproduzir uma dinâmica já reconhecida pela Organização das Nações Unidas como o maior crime já cometido contra a humanidade”, apontou em nota o Ministério da Igualdade Racial.
O crime de racismo prevê penas a partir de três anos e pagamento de multa. O empresário Carlos Martins se pronunciou nas redes sociais que o objetivo da cena era uma “sátira política” e não tinha intenção racista.
O portal de notícias Alma Preta apurou que o bolsonarista acumula dívidas que passam de R$ 1 milhão em duas empresas nas quais aparece como sócio. A Top Gran, de comércio atacadista de mármores e granitos, deve mais de R$ 666 mil; enquanto a Cem Locação, de aluguel de máquinas e equipamentos industriais, deve mais de R$ 386 mil.













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