A Birosca do Conic, no centro de Brasília, reuniu neste sábado (20) lideranças políticas, parlamentares, militantes e movimentos sociais para o lançamento da pré-candidatura de Ricardo Cappelli (PSB) ao Governo do Distrito Federal. Em uma demonstração de força do campo progressista, o encontro buscou apresentar uma alternativa ao grupo político liderado pelo ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e a atual governadora Celina Leão (PP).
Mais do que anunciar oficialmente sua entrada na disputa de 2026, Cappelli utilizou o evento para construir uma narrativa baseada nas desigualdades entre o Plano Piloto e as regiões periféricas, nas críticas à situação da saúde pública e nas denúncias envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Ao longo do ato, o ex-interventor federal procurou apresentar sua pré-candidatura como resultado de uma imersão nas regiões administrativas do DF. Segundo ele, os últimos 17 meses foram dedicados a percorrer cidades, conversar com moradores e conhecer problemas que, na sua avaliação, permanecem distantes dos gabinetes do poder.
“Eu decidi o seguinte: se eu vou participar, eu quero conhecer o Distrito Federal real, que é o Distrito Federal que não cabe no cartão-postal. É o Distrito Federal que não está na foto da Ponte JK. É o Distrito Federal que não está no Eixo Monumental, o Distrito Federal que não está no Parque da Cidade, que é belíssimo”, declarou.
O pré-candidato relatou ter passado temporadas de uma semana em diferentes regiões administrativas desde o início de 2025. Durante esse período, visitou unidades básicas de saúde, escolas, hospitais, terminais de ônibus e comunidades em situação de vulnerabilidade.
Segundo Cappelli, a experiência revelou um contraste que considera incompatível com a capacidade financeira da capital. “Esse ano o orçamento do Distrito Federal é de R$ 74 bilhões. É o maior orçamento do Brasil. E, a 15 minutos daqui, a gente tem em Santa Luzia até hoje 20 mil pessoas morando sem saneamento, sem infraestrutura de água, sem nada. Mas não é só em Santa Luzia, é em várias regiões”, afirmou, ao criticar a desigualdade entre o orçamento bilionário e as condições encontradas nas áreas mais vulneráveis do DF.�
Ao longo do ato, ele apontou problemas relacionados ao transporte público, à regularização fundiária e à infraestrutura urbana. Também questionou o volume de recursos destinados ao sistema de transporte coletivo diante das dificuldades enfrentadas diariamente pela população que vive nas regiões mais afastadas do centro da capital.
Saúde�
A saúde pública, foi o tema mais recorrente durante a mobilização. Cappelli afirmou que a situação encontrada em visitas às unidades de atendimento foi um dos fatores que o motivaram a disputar o governo. Em um dos relatos, descreveu o que viu durante uma visita à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Paranoá.
“Não me sai da cabeça o dia que eu cheguei na UPA do Paranoá. Vi uma mulher entrando com o rosto todo machucado, com o braço sangrando. Depois ela saiu e me disse que mandaram ela embora porque não tinha fio de sutura para dar ponto numa UPA no Distrito Federal, na capital do Brasil”, relatou.
Ele também criticou as filas por consultas, exames e cirurgias especializadas, além da falta de profissionais na rede pública. Segundo ele, o cenário não condiz com os recursos destinados ao setor. “Nós temos hoje 33 mil pessoas na fila das cirurgias. Temos mais de 120 mil pessoas aguardando consultas e exames com especialistas. O orçamento da saúde do Distrito Federal é de R$ 1 bilhão por mês. Como é que não tem atendimento?”, questionou.
A deputada distrital Dayse Amarílio (PSB-DF), reforçou as críticas à situação da saúde pública e defendeu maior participação popular na política. “Nós temos um desafio muito grande e nosso desafio é entender que estamos num momento decisivo. Não adianta a gente reclamar que a saúde está ruim, reclamar que fulano não está fazendo nada. O poder não é dado para ninguém. O poder é tomado”, afirmou.
A parlamentar também relacionou a atuação política ao compromisso com os serviços públicos e com a população. “Tentaram distorcer a política e colocar a política como algo ruim. E eu entendi que política é cuidar das pessoas. E esse ano a gente está no ano decisivo porque eu tenho 26 anos de saúde e nunca vi a saúde tão ruim do jeito que está”, declarou.
BRB e Banco Master�
Além das críticas aos serviços públicos, o lançamento da pré-candidatura foi marcado por falas sobre o caso envolvendo o BRB e o Banco Master. Cappelli também comentou a ação judicial movida contra ele pelo ex-governador Ibaneis Rocha, que o acusa de difamação em razão de declarações feitas sobre as operações entre as duas instituições financeiras.�
O pré-candidato afirmou que pretende utilizar o processo para ampliar o debate público sobre o caso. “A primeira pessoa que eu vou convocar nesse processo é a atual governadora Celina Leão. Ela vai ter que ir lá. Ela vai ter que dizer se o governador tem ou não a ver com o escândalo, com o rombo do BRB”, afirmou.
O tema foi reforçado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que defende a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master.
“Nós estamos insistindo na instalação da CPI do Banco Master. Fomos os primeiros a apresentar um requerimento. Essa investigação tem que ser feita doa a quem doer. Nós não podemos conviver com a corrupção que retira dinheiro da saúde, da segurança e da educação”, afirmou.
Rollemberg também afirmou que vê em Cappelli a principal alternativa para a sucessão ao governo local. “Nós estamos muito animados e convictos de que Cappelli é a melhor opção para o governo do Distrito Federal. Ele se dispôs a conhecer o Distrito Federal com profundidade e viver a realidade que as pessoas vivem no seu dia a dia”, declarou.
Oposição�
Presente no evento, o ex-governador e ex-senador Cristovam Buarque (PSB-DF) defendeu maior engajamento da população no debate político e afirmou que a eleição de 2026 exigirá posicionamento da sociedade. “Nesta hora ninguém tem direito de ficar omisso. O Brasil e o DF vão escolher entre um lado e outro. Não podem ficar em casa. Não interessa a idade, não interessa o passado. Vamos para a luta”, afirmou.
Cristovam também avaliou que o ato demonstrou a existência de espaço para uma alternativa política na capital federal. “Isso aqui é prova de que há espaço para uma alternativa que mude esta cidade. Nós queremos voltar a ser um exemplo para o Brasil”, pontuou.
O deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF), esteve presente no ato e destacou a atuação de Cappelli nas denúncias relacionadas ao BRB e defendeu a construção de uma ampla unidade das forças progressistas. “O Cappelli foi um dos primeiros a falar no Distrito Federal sobre o escândalo do BRB e do Master. Teve coragem de enfrentar grandes interesses e denunciar o que vinha acontecendo aqui no DF”, declarou.
O parlamentar também direcionou críticas ao grupo político atualmente no comando do Executivo local. “O nosso desafio agora é derrotar essa corja de canalhas que assaltou o BRB e as políticas públicas dessa cidade”, afrimou.
A vereadora de Goiânia Ava Santiago (PSB-GO) também participou do lançamento e associou a candidatura de Cappelli à confiança depositada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a intervenção federal em 8 de janeiro de 2023. “Esse foi o cara que o presidente Lula entregou a chave da democracia. E é agora que nós temos a oportunidade de copiar o que o presidente Lula fez e entregar o governo do DF para ele e para a turma dele”, afirmou.
A parlamentar também criticou o que classificou como distanciamento entre as elites políticas e a realidade enfrentada pela população. “Tem gente no DF sem leito para parir e a turma do Master, que o Ibaneis ajuda a bancar, está descansando em Ibiza, às custas do sofrimento e da precarização de cada um de vocês”, criticou, citando o senador Ciro Nogueira (PP-PI), mencionado por parlamentares da oposição nos debates sobre as investigações envolvendo o Banco Master.�
Participaram do evento os ex-governadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Cristovam Buarque (PSB-DF), o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, além da deputada distrital Dayse Amarílio (PSB-DF), do deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF), da vereadora de Goiânia Ava Santiago (PSB-GO) e do ex-deputado federal Israel Batista (PSB-DF). O ato também reuniu pré-candidatos do partido, militantes e moradores de diferentes regiões administrativas do Distrito Federal.
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