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Benedito Ruy Barbosa ajudou a levar cacau da Bahia e Rio São Francisco ao horário nobre

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O falecimento de Benedito Ruy Barbosa reacendeu a memória sobre a contribuição do autor para a teledramaturgia brasileira e, em especial, para a forma como a Bahia foi retratada na televisão.

Embora tenha nascido no interior de São Paulo, o novelista ajudou a projetar para milhões de telespectadores paisagens, conflitos, sotaques e símbolos do interior baiano em produções que se tornaram referência no país.

Dois momentos se destacam nessa ligação com o estado: Renascer, ambientada na zona cacaueira de Ilhéus, e Velho Chico, inspirada no universo do Rio São Francisco.

Em épocas diferentes, as duas novelas levaram para o horário nobre temas como disputa por terra, poder político, coronelismo, tradição familiar, religiosidade, trabalho rural e transformação social.

A Bahia do cacau em Renascer

A relação mais lembrada entre Benedito Ruy Barbosa e a Bahia nasceu com Renascer, exibida originalmente pela TV Globo em 1993. A novela marcou o retorno do autor à emissora depois do sucesso de Pantanal, na Rede Manchete, e foi concebida como uma trama rural, com locações reais e forte presença da paisagem brasileira. O cenário escolhido foi a região de Ilhéus, no sul da Bahia.

A história se passa na região cacaueira e acompanha a trajetória de José Inocêncio, fazendeiro cercado por disputas familiares, conflitos de poder e elementos simbólicos ligados ao imaginário popular. Com essa ambientação, a novela levou para a televisão nacional referências ao ciclo do cacau, aos coronéis, às fazendas, às matas e ao universo social do sul baiano.

O impacto foi grande. A trama, dirigida por Luiz Fernando Carvalho, entrou no ar em março de 1993 e consolidou uma estética que valorizava o interior do país, a oralidade popular e a força dramática das paisagens. Na lista das novelas das oito da TV Globo, Renascer aparece como produção exibida entre 8 de março e 13 de novembro de 1993, com autoria de Benedito Ruy Barbosa e direção de Luiz Fernando Carvalho.

Cacau da Bahia voltou à TV três décadas depois

Mais de 30 anos depois, Renascer voltou ao ar em uma nova versão. O remake foi exibido pela TV Globo em 2024, adaptado por Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa. A produção retomou a história criada pelo autor em 1993 e manteve a zona cacaueira da Bahia como eixo narrativo.

Na nova versão, as gravações começaram em Ilhéus, em outubro de 2023, com uma equipe de mais de 200 profissionais. A retomada da novela reacendeu o interesse do público pela região sul da Bahia, pelo cultivo do cacau e pelos personagens que marcaram a dramaturgia brasileira.

A reedição também mostrou como a criação de Benedito Ruy Barbosa atravessou gerações. A história escrita por ele nos anos 1990 foi atualizada pelo neto, mantendo elementos centrais da obra original e renovando o contato do público com a Bahia rural retratada na novela.

O São Francisco como protagonista

Outro capítulo importante da ligação de Benedito Ruy Barbosa com a Bahia veio com Velho Chico, exibida em 2016. A novela nasceu de uma sinopse sobre o Rio São Francisco apresentada pelo autor à TV Globo em 2009. O projeto passou por avaliações internas, foi engavetado por um período e depois aprovado para exibição no horário nobre.

A trama colocou o Rio São Francisco no centro da narrativa. Embora ambientada na fictícia cidade de Grotas de São Francisco, a história dialogava diretamente com a realidade de cidades ribeirinhas, famílias tradicionais, trabalhadores rurais, agricultores, disputas políticas e transformações econômicas no Nordeste.

A Bahia aparecia como parte essencial desse universo. Na história, personagens transitavam por Salvador e por regiões ligadas ao São Francisco, enquanto o rio funcionava como força simbólica, econômica e afetiva. Era mais do que cenário: o Velho Chico era tratado como personagem, memória e destino dos personagens.

Gravações e paisagens baianas

Além da presença narrativa, Velho Chico também teve locações na Bahia. Entre os locais associados à produção estão São Francisco do Conde, Cachoeira, Raso da Catarina e Ilha de Cajaíba, além de áreas de outros estados nordestinos banhadas ou influenciadas pelo Rio São Francisco.

A novela reuniu três gerações da família Barbosa na autoria: Benedito Ruy Barbosa, Edmara Barbosa e Bruno Luperi. A produção foi indicada ao Emmy Internacional de melhor telenovela em 2017, reforçando a projeção internacional de uma história profundamente ligada ao sertão, ao rio e ao imaginário nordestino.

Um autor identificado com o Brasil rural

A presença da Bahia na obra de Benedito Ruy Barbosa se explica também pelo estilo do autor. Ao longo da carreira, ele ficou conhecido por novelas que valorizam o Brasil rural, as comunidades do interior, os conflitos familiares, os ciclos econômicos e a cultura popular.

Em Renascer, esse olhar se voltou para a região cacaueira de Ilhéus. Em Velho Chico, para o rio que atravessa o imaginário de boa parte do Nordeste e tem forte ligação com a Bahia. Em ambas, o autor tratou a paisagem não apenas como pano de fundo, mas como parte decisiva da história.

Essas obras ajudaram a formar uma memória televisiva sobre a Bahia. Para muitos brasileiros, as imagens das fazendas de cacau, das margens do São Francisco, dos casarões, das procissões, dos conflitos entre famílias e das comunidades rurais chegaram primeiro pela dramaturgia de Benedito Ruy Barbosa.



Com informações do Agência Sertão

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