A morte de Abidulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, em uma creche conveniada com a Prefeitura de São Paulo, no Brás, na região central da capital paulista, mobilizou manifestantes na tarde de segunda-feira (27) em um ato para cobrar justiça e a responsabilização dos envolvidos no caso.
A manifestação reuniu familiares, amigos, mães e pais de alunos e representantes de diferentes nacionalidades, sobretudo do Senegal, país de origem dos pais da criança. Também participaram integrantes da comunidade africana, do Conselho Municipal de Imigrantes e representantes de organizações de imigrantes.
Ao Brasil de Fato, a conselheira municipal de Imigrantes Mariama Bintu Bah relatou que o protesto foi marcado por emoção e indignação. Segundo ela, participaram senegaleses, gambianos, haitianos, congoleses, pessoas da Guiné-Bissau, do Peru e brasileiros, entre eles parlamentares.
Mariama criticou a postura da instituição durante o protesto. Segundo ela, nenhum representante da creche conversou com os manifestantes, e a unidade permaneceu funcionando normalmente, apesar da morte da criança.
“Em nenhum momento alguém da escola saiu para falar conosco. Nós não fomos lá para constranger as crianças, mas é muito triste ver que a escola continua funcionando como se nada tivesse acontecido. Nem um gesto de luto. Precisamos que haja uma perícia completa e que essa escola seja inabilitada até que a família consiga, minimamente, justiça”, disse.
A conselheira também informou que havia forte presença policial desde o início da mobilização. De acordo com ela, diante do aumento do efetivo, os organizadores decidiram encerrar o ato para evitar conflitos.
“Nós optamos por dispersar nosso povo para que não acontecesse mais uma tragédia. Estávamos ali apenas para reivindicar nossa tristeza e nossa indignação. Qualquer coisa poderia servir para nos incriminar”, pontuou.
Segundo Mariama, a maior preocupação da comunidade, neste momento, é com a situação da mãe de Abidulaye, que permanece abalada desde a morte do filho.
“Ela não consegue sair da cama, não come, chora dia e noite. Está com os peitos cheios de leite. Ver as amigas e as cunhadas dela inconformadas, dizendo que foi muito fácil perder um filho daquela maneira, é de cortar o coração”, relatou.
Abidulaye morreu na última quarta-feira (22), depois de prender a cabeça no vão entre uma barra de ferro e um espelho em uma das salas da creche, na região central de São Paulo.
Segundo a investigação da Polícia Civil, o bebê ficou preso por cerca de seis minutos antes de ser socorrido. O caso é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás) como homicídio culposo.
A Secretaria Municipal da Educação informou que instaurou procedimento administrativo para apurar o caso e afirmou que poderá descredenciar a organização responsável pela unidade caso sejam confirmadas irregularidades. Segundo a pasta, a sala onde ocorreu o acidente foi interditada para perícia, enquanto o restante da creche segue em funcionamento.













Deixe um comentário