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Após perder primárias para candidato pró-Palestina, democrata pró-Israel declara apoio a republicano e gera revolta no partido: ‘Traição desprezível’

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A deputada democrata dos Estados Unidos Haley Stevens declarou nesta segunda-feira (02) seu apoio oficial ao candidato republicano ao Senado, Mike Rogers, a apenas dois dias das eleições de meio de mandato (midterms) no país. A decisão provocou um fortes reações da cúpula do Partido Democrata e deve bagunçar a corrida eleitoral no Estado do Michigan.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, reagiu de forma contundente ao posicionamento da deputada e classificou sua conduta como uma “traição desprezível”.

A parlamentar, que foi derrotada nas primárias democratas de agosto pelo médico e ex-secretário de Saúde pública Abdul El-Sayed, candidato progressista de origem egípcia e crítico contundente da ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, apareceu ao lado do rival republicano durante um culto em uma igreja na cidade de Detroit.

O movimento da parlamentar expõe seus vínculos com o lobby sionista na política estadunidense, já que ela preferiu apoiar o rival para evitar a vitória de um candidato pró-Palestina.

Durante a disputa interna das primárias, a candidatura de Haley Stevens recebeu dezenas de milhões de dólares em financiamento direto de super PACs (comitês de ação política) afiliados ao Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense (AIPAC, na sigla em inglês), o principal grupo de pressão pró-Israel em Washington. Segundo a ferramente de análise de dados Track AIPAC, Stevens recebeu cerca de 35 milhões de fundos sionistas durante a campanha das primárias.

O objetivo da vultosa injeção de recursos era justamente conter o avanço de El-Sayed, que tem denunciado os crimes de guerra no território palestino e a cumplicidade de Washington com o governo de Benjamin Netanyahu.

A escalada do conflito entre os dois políticos intensificou-se às vésperas da votação, após a veiculação de uma propaganda produzida pelo Rebellion PAC, grupo independente alinhado a El-Sayed, que relacionou os bilhões de dólares enviados em assistência militar a Israel com o aumento do custo de vida e a perda do poder de compra das famílias trabalhadoras estadunidenses.

Stevens classificou o anúncio como “antissemita” e exigiu retratações públicas de El-Sayed. Embora o candidato tenha esclarecido que a peça não tenha sido produzida por sua campanha e reiterado que seu foco estava nas pautas econômicas de Michigan, a deputada utilizou o episódio como justificativa para abandonar a candidatura oficial da legenda.

Ao anunciar a aliança com o republicano Mike Rogers na saída do culto em Detroit, Stevens gravou um vídeo publicado em suas redes sociais alegando ter sido declarada “persona non grata” na campanha democrata. Contudo, a deputada estadual Debbie Dingell desmentiu a versão, explicando que pediu o afastamento de Stevens das agendas públicas conjuntas apenas para conter o clima de atrito desnecessário alimentado pela parlamentar a poucos dias do pleito.

Reação imediata

A decisão de Haley Stevens provocou forte indignação entre lideranças nacionais e locais do Partido Democrata, que tentam manter o controle do Senado em uma disputa acirrada em Michigan.

A deputada e ex-chefe da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi também criticou a decisão, afirmando que Stevens “escolheu trair de maneira perigosa a saúde, as liberdades e o futuro das família do Michigan com esse apoio horrível”.

Em nota oficial, o presidente do Comitê Nacional Democrata (DNC), Ken Martin, repudiou as manobras da parlamentar e destacou o caráter divisionista do ato.

“A decepcionante decisão de Haley Stevens de fazer campanha para Mike Rogers, um aliado de Donald Trump que se alinha a projetos de retirada de direitos da classe trabalhadora, representa uma traição direta aos valores do Partido Democrata. No momento em que a legenda está unida na defesa das famílias de Michigan, rejeitamos categoricamente essas tentativas de semear divisões em nossa base”, declarou o dirigente.

O presidente do Partido Democrata em Michigan, Curtis Hertel, reforçou as críticas e apontou o esvaziamento político da deputada. “A escolha de Haley Stevens de se alinhar publicamente a Rogers demonstra que ela abandonou tudo o que afirmava defender ao longo de sua trajetória pública. Não permitiremos que distrações de última hora desviem nossa mobilização”, afirmou Hertel, ressaltando que o nome da deputada não figurará mais nos quadros futuros da agremiação no estado.

Debandada no gabinete

O anúncio da aliança com a extrema direita republicana desencadeou uma crise imediata no próprio gabinete parlamentar de Stevens. O chefe de gabinete da deputada, Justin German, que atuava com a parlamentar há oito anos, anunciou o pedido de demissão coletiva ao lado de diversos assessores diretos e diretores de comunicação da equipe.

“Estamos chocados e de coração partido com a decisão da deputada de apoiar Mike Rogers. Esta eleição é decisiva demais para que se promovam divisões ou se fique em cima do muro”, afirmou German em comunicado oficial transmitido à imprensa estadunidense.

Paralelamente, uma coalizão formada por organizações da sociedade civil e movimentos populares, entre eles a IfNotNow(grupo de judeus estadunidenses pelo fim do apartheid em Gaza), a MPower Action (organização de defesa de direitos de muçulmanos) e a Our Revolution, enviou uma representação formal ao líder da bancada democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, exigindo punições severas contra a parlamentar.

As entidades solicitam a expulsão imediata de Haley Stevens da bancada e a remoção de todas as suas cadeiras em comissões parlamentares. “Stevens traiu o Partido Democrata e seus eleitores ao orquestrar uma manobra de última hora destinada a sabotar a candidatura ao Senado. Integrantes do Congresso que utilizam seus cargos para impulsionar adversários partidários e enfraquecer candidaturas progressistas não podem continuar usufruindo dos privilégios da bancada”, destacaram as organizações na representação.

Enquanto a base democrata repudia o apoio ao rival, o ex-presidente Donald Trump e o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, celebraram publicamente o movimento de Stevens durante comício em Iowa.

Trump qualificou a atitude da deputada como um gesto de “coragem e bravura quase sem precedentes”, convidando-a abertamente a se filiar ao Partido Republicano após o encerramento de seu mandato no Congresso.





Com Informações: Brasil de Fato

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