A aprovação da PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 representa uma pauta positiva para o campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não deve ser tratada como fator determinante para a resolução das eleições de 2026.
A avaliação é do analista de Política da CNN Caio Junqueira em participação em O Grande Debate – Eleições.
Pauta mobiliza base já convertida
Para Caio Junqueira, a PEC, que aguarda apenas a promulgação para se tornar emenda constitucional, tem alcance limitado em termos de conquista de novos eleitores.
“É uma pauta positiva, mas não é uma bala de prata”, afirmou o analista.
Segundo ele, a proposta “prega, vamos dizer, já para um público convertido ao lulismo, ao petismo, um eleitor que majoritariamente vota já com Lula”.
Ainda assim, o analista pondera que, em um cenário eleitoral extremamente acirrado, qualquer margem pode fazer diferença. “Numa eleição muito apertada, qualquer 0,1% ou 0,2% pode ajudar”, destacou Caio Junqueira.
Além disso, a pauta cria uma narrativa política capaz de colocar a oposição em posição defensiva, uma vez que parcela significativa dela se posicionava contra a proposta.
Alcolumbre e o cálculo político
O analista também destacou o papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na aprovação da PEC, interpretando o movimento como parte de um cálculo de sobrevivência política.
De acordo com Caio Junqueira, ao pautar e aprovar a proposta, Alcolumbre demonstrou claramente de qual lado está.
“Claramente ele também está lutando pela sua sobrevivência política, porque sabe que se o Flávio ganhar, ele não vai ser presidente do Senado”, analisou.
Segundo o analista, caso Lula vença as eleições, Alcolumbre tende a permanecer à frente do Senado por mais dois anos, já que Lula “vai dever favores a ele como ter pautado essa PEC”, mesmo diante da rejeição por parte do setor privado e de grande parte dos senadores.
Para Caio Junqueira, a aprovação representa, portanto, uma vitória também para Alcolumbre.
Debates serão o verdadeiro divisor de águas
Para além da pauta trabalhista, o analista aponta que os próximos debates televisivos serão os momentos mais decisivos da corrida eleitoral.
“A grande questão daqui em diante para a campanha será os dois debates”, disse Caio Junqueira, referindo-se ao debate da Band, previsto para domingo (17), e ao da Rede Globo, na quinta-feira seguinte (22).
Segundo ele, é nesses embates que pode surgir algo “determinante e decisivo para o eleitor que vai nas urnas no dia 25 de outubro”.













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