A proximidade das eleições presidenciais coloca em evidência um paradoxo econômico que intriga analistas e políticos: apesar dos indicadores favoráveis de emprego e renda, a maioria dos brasileiros avalia negativamente a situação econômica do país. A analista e editora de Economia da CNN Lucinda Pinto comenta o tema.
Segundo levantamento do Instituto Nexus BTG, 53% das pessoas consideram que a economia está indo para o lado ruim.
Para Lucinda, a explicação para esse descompasso está no elevado endividamento da população. “O indicador econômico não move as pessoas. As pessoas se movem por aquilo que elas estão percebendo na vida delas, por aquilo que o orçamento delas mostra”, afirmou.
Segundo ela, a situação de endividamento “continua grave” e não apresenta nenhum indício de alívio, o que determina a percepção negativa dos eleitores.
Famílias de baixa renda são as mais afetadas
Dados da Confederação Nacional do Comércio revelam que o comprometimento do orçamento com dívidas é inversamente proporcional à renda. Para quem ganha até três salários mínimos, 30,5% da renda já está comprometida com o pagamento de dívidas.
“A pessoa recebe ali no dia 30, no dia 5 e já tem 30% sendo pagos em termos de dívida”, destacou Lucinda Pinto. Além disso, 21,2% dos consultados nessa faixa de renda se consideram muito endividados.
A analista ressaltou que boa parte dessas dívidas está relacionada a custos básicos de sobrevivência, como gás, energia elétrica, alimentação e transporte. “O orçamento dessas famílias é basicamente para viver, não sobra para investir”, observou.
Isso impede que as famílias tenham a sensação de progresso financeiro, o que contribui diretamente para a insatisfação com a economia.
Mobilidade social e percepção do futuro
O debate também abordou a questão da mobilidade social. Foi lembrado que quase 70% dos trabalhadores no Brasil ganham até três salários mínimos, o que torna o país uma nação de renda média muito baixa.
Nesse contexto, mesmo com o menor desemprego da história e a inflação minimamente controlada, a percepção da população permanece negativa.
“Eu acho que o que pega muito para as pessoas é essa sensação de que não há um progresso, que as pessoas não têm condição hoje de evoluir do ponto de vista econômico e financeiro”, disse Lucinda.













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