A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) realizou, nesta quarta-feira, 1º de julho, a 10ª Reunião do Grupo Técnico de Acompanhamento da Região Nordeste — Segurança Hídrica. O encontro ocorreu em formato híbrido, na sede da Agência, em Brasília.
A reunião reuniu representantes de órgãos estaduais de recursos hídricos, instituições federais e especialistas para atualizar informações sobre cenários climáticos, reservatórios e ações de gestão voltadas à redução de riscos hídricos no Nordeste.
O encontro ocorreu em um contexto de atenção para os efeitos do El Niño. Em 11 de junho de 2026, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do fenômeno no Oceano Pacífico, com possibilidade de estabelecimento em forte intensidade, situação conhecida como “super El Niño”.
Segundo o relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2025, elaborado pela ANA, o Nordeste é a região mais vulnerável do país na dimensão de resiliência do Índice de Segurança Hídrica. A condição está relacionada às características do Semiárido e à presença de muitos rios intermitentes, que não mantêm fluxo de água durante todo o ano.
A diretora da ANA, Cristiane Battiston, abriu a reunião destacando a importância do compartilhamento de informações entre os órgãos envolvidos. Ela afirmou que a preparação para eventos climáticos exige integração entre as instituições e acompanhamento permanente dos sistemas hídricos.
Durante a fala, Battiston também manifestou solidariedade a Pernambuco e à Paraíba, em razão das inundações que atingem áreas da Zona da Mata pernambucana. Segundo ela, a Presidência da República já realizou uma primeira reunião com ministérios para avaliar os impactos previstos do El Niño e definir ações de preparação.
“Este ano estamos conseguindo fazer as negociações, os processos de alocação, e vários reservatórios pegaram água, mas, se o El Niño atrasar as chuvas, isso pode impactar muito a estação chuvosa do ano que vem, e teríamos um problema bem mais sério”, afirmou Cristiane Battiston.
A diretora também destacou a necessidade de manter as barragens em operação adequada, a fim de evitar perdas de água por falhas de funcionamento. O encontro foi moderado pelo superintendente de Regulação de Usos de Recursos Hídricos da ANA, Marco Neves.
ANA acompanha sistemas hídricos locais no Nordeste
Durante a reunião, a ANA apresentou um panorama dos Sistemas Hídricos Locais acompanhados pela Agência. Esses sistemas são áreas de bacias hidrográficas geralmente formadas por um açude público associado a um trecho de rio perenizado.
Na prática, são locais onde há uso intenso da água, episódios frequentes de escassez e histórico de conflitos entre diferentes usuários, como abastecimento humano, irrigação, produção rural e outras atividades.
Segundo a apresentação, a ANA acompanha atualmente cerca de 30 Sistemas Hídricos Locais em estados como Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Piauí e Tocantins.
O acompanhamento desses sistemas é considerado importante para organizar o uso da água, reduzir disputas e orientar medidas de gestão em períodos de estiagem ou de maior pressão sobre os reservatórios.
Reservatórios do São Francisco iniciam período seco com volumes elevados
Outro ponto da reunião foi a situação do sistema hídrico do Rio São Francisco e dos reservatórios relacionados ao Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF).
A apresentação foi feita pelo superintendente adjunto de Operações e Eventos Críticos da ANA, Antonio Augusto Borges de Lima. Os dados tiveram como referência o dia 30 de junho de 2026, início do período seco do ciclo hidrológico.
De acordo com a ANA, o reservatório equivalente do Rio São Francisco estava em 89,15% de sua capacidade. O percentual é superior ao registrado na mesma data do ano anterior, quando o índice era de 68,89%.
As faixas de operação dos reservatórios de Três Marias e Sobradinho, estabelecidas em 1º de junho de 2026, foram classificadas como normais.
Entre os principais reservatórios do sistema, Três Marias registrava 95,48% de volume útil. Sobradinho estava com 85,74%, enquanto Itaparica apresentava 89,77%.
Entre as usinas hidrelétricas acompanhadas no sistema, o reservatório de Queimado registrava 98,71% de volume útil.
Encontro teve participação de estados e órgãos federais
A reunião contou ainda com apresentação da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), que tratou dos cenários climáticos para a região Nordeste.
Também participaram instituições federais, como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), além de representantes dos órgãos estaduais de gestão de recursos hídricos.
No bloco reservado às falas dos estados, representantes da Paraíba e de Pernambuco atualizaram o grupo sobre a situação hídrica em seus territórios e as medidas de preparação adotadas para enfrentar eventos climáticos.
A reunião faz parte do acompanhamento técnico realizado pela ANA para apoiar a tomada de decisão sobre o uso da água, a operação de reservatórios e a preparação para períodos de maior risco hídrico no Nordeste.













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