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Além dos EUA, Brasil vai ser cada vez mais pressionado por países alinhados a Trump, avalia internacionalista

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O governo Lula iniciou oficialmente o processo de reciprocidade contra o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A medida foi tomada diante da falta de avanço nas negociações e serve como um recado ao governo de Donald Trump.

As relações entre os dois países seguem tensionadas e o capítulo mais recente foi um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA que retoma a Doutrina Monroe e afirma que o domínio do país em toda a América “nunca mais será questionado”.

Segundo o Planalto, o objetivo é abrir consultas diplomáticas antes de decidir se aplicará ou não medidas equivalentes contra os EUA. A embaixada brasileira vai notificar o Departamento de Estado, o Departamento de Comércio e o órgão responsável pelo comércio exterior dos Estados Unidos.

O governo brasileiro avalia que as tarifas estadunidenses atingem empresas, exportações e empregos no país. Também entende que o Brasil precisa demonstrar que possui instrumentos de defesa diante de medidas unilaterais. Diplomatas afirmam que a abertura das consultas permite ao governo ouvir setores produtivos, autoridades brasileiras e representantes dos Estados Unidos antes de uma decisão final.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Jana Silverman, professora de Relações Internacionais da Uniersidade Federal do ABC (UFABC), avalia que está cada vez mais clara a tentativa dos EUA de influenciarem o processo eleitoral. Para isso, o governo Trump vem sistematicamente atacando a soberania do Brasil.

“A maior expressão foi a retirada do visto da embaixadora brasileira em Washington. E agora estamos vendo já os indícios de uma ameaça militar. Não quero dizer ataque militar, mas uma ameaça militar, ou seja, mostrar uma força. Eu acho que é importante sinalizar: essa ideia de ter exercícios militares na região do Atlântico Sul é algo relativamente comum, que acontece. O que não é comum é o uso desses aviões de caça enormes, que são realmente usados mais em situações de conflito aberto, como estamos vendo no Irã”, destaca. “Isso é preocupante.”

Apesar das bravatas trumpistas, Silverman avalia que uma intervenção militar estrangeira no Brasil é pouco provável, até porque o governo Trump encontra-se desgastado pelo conflito contra o Irã. As interferências buscarão caminhos diplomáticos e comerciais, com efeitos mais limitados. Outros países na América Latina atravessam momentos mais críticos, como a Venezuela, que vive um governo interino desde o sequestro de Nicolás Maduro, e Cuba, com a asfixia energética.

No entanto, Jana Silverman recorda ainda que o Brasil está cercado por países que aderiram ao Escudo das Américas, aliança militar na América Latina regida por Trump. “Acho que o que podemos começar a ver é, não apenas Estados Unidos pressionando o Brasil, mas esses países vizinhos”, alerta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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