Juiz de Fora (MG) registrou 733,6 milímetros (mm) de chuva em fevereiro de 2026 até as 9h desta quinta-feira (26), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O volume configura recorde histórico mensal na estação convencional da cidade (código 83692), com série desde 1961.
De acordo com o Inmet, a marca anterior era de 715,4 mm, registrada em janeiro de 1985. O acumulado de fevereiro deste ano também representa um desvio de +331% em relação à média climatológica do mês em Juiz de Fora, que é de 170,3 mm, conforme tabela divulgada pelo instituto.
O órgão informou ainda que, apenas entre a segunda-feira (25) e a manhã de quinta-feira (26), a estação meteorológica de Juiz de Fora acumulou 370 mm.
A estação do Inmet em Juiz de Fora fica localizada no Laboratório de Climatologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), no bairro São Pedro.
No mesmo local, há também uma estação do Cemaden. Segundo as informações repassadas, o equipamento registrou 370 mm entre segunda e quinta-feira, o maior volume entre os equipamentos monitorados no município nesse intervalo.
Nos pluviômetros de bairros, os maiores acumulados informados foram:
- Centro: 353 mm
- Nossa Senhora de Lourdes: 347 mm
- Milho Branco: 333 mm
Os números reforçam a intensidade e a persistência das chuvas na cidade ao longo da semana.
O que explica os volumes elevados, segundo o INMET
Em nota técnica, o INMET atribui os altos acumulados à combinação de fatores atmosféricos, entre eles:
- passagem de frente fria pelo Oceano Atlântico, na altura da Região Sul;
- atuação de uma área de baixa pressão na costa do Sudeste;
- circulação dos ventos em escala mais ampla;
- condições térmicas anômalas dos oceanos;
- posicionamento de sistemas meteorológicos e sistemas convectivos;
- efeitos locais, como relevo e áreas de serra.
Esse conjunto favoreceu instabilidades persistentes no leste de Minas Gerais, em áreas de São Paulo e na região serrana do Rio de Janeiro.
Previsão indica redução da chuva e retorno no início de março
A previsão por conjunto de modelos aponta que as chuvas devem diminuir em Juiz de Fora a partir desta sexta-feira (27). Pelos modelos, a tendência é de retorno das precipitações a partir de 5 de março.
Veja a previsão completa para Juiz de Fora
Chuva histórica ocorre em meio a tragédia e operações de resgate
O volume extremo de chuva ocorre em meio a uma crise humanitária na Zona da Mata mineira. Segundo atualização informada até as 21h desta quinta-feira (26), o Corpo de Bombeiros entrou no terceiro dia de buscas por desaparecidos em Juiz de Fora e Ubá.
Os números atualizados informados são:
- Juiz de Fora: 58 mortos e 7 desaparecidos
- Ubá: 6 mortos e 2 desaparecidos
As buscas chegaram a ser interrompidas durante a madrugada por causa do volume de chuva e do risco de novos deslizamentos. Houve também evacuação de ruas em áreas atingidas.
Ainda segundo as informações repassadas, 100 militares do Exército devem reforçar o atendimento às vítimas em Juiz de Fora.
Durante a madrugada, foram registrados 113 mm de chuva na cidade, com novos desabamentos de casas. Desde o início da semana, a Defesa Civil contabilizou mais de 1.500 ocorrências.
A rede municipal também passou a atender famílias desabrigadas e desalojadas. A Escola Municipal Raymundo Hargreaves, no bairro Bom Jardim, foi uma das unidades transformadas em abrigo e recebeu o maior número de famílias, segundo as informações divulgadas.
Juiz de Fora está entre as cidades com mais população em áreas de risco
Levantamento do Cemaden citado nas informações de contextualização aponta que Juiz de Fora é a 9ª cidade do Brasil com maior população em áreas de risco de deslizamentos, enchentes e enxurradas.
Dados informados:
- População: 540.756 habitantes
- Pessoas em áreas de risco: 128.946
- Percentual em áreas de risco: 23,7%
O cenário ajuda a explicar o impacto das chuvas intensas sobre diferentes bairros e a gravidade dos danos registrados nesta semana.















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