Últimas notícias

A tarefa central nos próximos 4 anos do quarto governo Lula

0


Foi uma espera angustiante no domingo, 25 de outubro, feita na rua em frente ao Bar Café Cantante no bairro Bom Fim em Porto Alegre e no Largo Zumbi dos Palmares, depois de uma campanha emocionante na reta final.�

O recado está dado: juventude na rua, mulheres na rua, povo das periferias na rua, população 60+ na rua. Multidões e mais multidões, dando o tom da virada com intensa participação popular.

Lula disse, na declaração da vitória: “Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. Vai ser um governo com intensa participação social e popular.  Agora, é governar com o povo.” Como, aliás, aconteceu nos dois primeiros governos Lula e no governo Dilma, com a frase de Frei Betto, impossível de esquecer: “Matar a fome de pão, sim, em primeiro lugar. Mas, ao mesmo tempo, saciar a sede de beleza.”

Foi o que aconteceu com e a partir do MESA, dos COPOS, dos PRATOS, dos SAL e, principalmente, do TALHER, um grupo de educadoras-es populares que originou e construiu a RECID, Rede de Educação Cidadã, mobilizando a população e a sociedade, a partir do Programa Fome Zero, prioridade máxima do primeiro governo Lula.

O sentido político era mais Movimento, menos Instituição, como foi nas Diretas Já, no processo constituinte e em tantos outros momentos da história brasileira, para garantir a democracia. Assim como foi, com o Orçamento Participativo (OP), nos governos populares de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, a população organizada dando os rumos do governo, dizendo onde e como deveriam ser gastos os recursos públicos. Foi a origem e ponto de partida, nos anos 2000, do Fórum Social Mundial (FSM), no início dos anos 2000, ‘um outro mundo possível’, hoje mais que nunca urgente e necessário.

Está ai a tarefa central nos próximos 4 anos do quarto governo Lula. Nas palavras de Gilberto Carvalho, em profética entrevista ao Brasil 247, dada dias antes do segundo turno: “Lula 4 tem que governar com o povo, não apenas com o Congresso. Isso também é uma lição de não confiar exageradamente na aliança institucional e construir aliança com o povo. O quarto governo Lula não pode ser igual ao terceiro. Nós precisamos fazer um governo que deixe um legado realmente de fortalecer o poder popular. A negociação faz parte da democracia. Agora, o que defendo é que não haja mais negociação sem organização popular pressionando para as causas essenciais. Tudo aquilo que disser respeito à luta de classe, ou seja, direito do povo, direito das maiorias, deve acontecer necessariamente com mobilização.“

Disse mais Gilberto Carvalho:  “É isso que nós temos que construir, processos em que as maiorias vão criando tal volume que aqueles que detêm mandato se dêem conta de que, se eles não seguirem por esse caminho, eles serão penalizados. Todo o governo será um governo poroso à participação real, não uma participação fictícia, participação real e com grandes mobilizações. Nós temos que fazer um governo enraizado na luta popular, que se sustente, que não chegue na próxima eleição se arrastando. A principal tarefa do quarto governo será transformar a mobilização eleitoral em participação politica permanente. Nós temos que fazer um governo de construção do poder popular.”�

Estão dados, pelo próprio presidente Lula e por Gilberto Carvalho, o sentido político, as prioridades e o que vai ser feito no quarto e último governo Lula, para fazer acontecer a democracia, fortalecer a soberania popular e garantir que a ultradireita neoliberal não promova outro golpe ali adiante.

Por exemplo. É fundamental dar prioridade, entre outras políticas, ações e Programas, à PNEPS-SUS, Política nacional de Educação Popular, à ECOSOL, Economia Popular Solidária, ao funcionamento dos Conselhos de participação social, às Conferências, como a Conferência nacional de Saúde, que vai acontecer em 2027, para que sejam realizadas e reúnam milhares, milhões de militantes, educadoras e educadores populares, sonhadoras e sonhadores, como aconteceu na reta final de campanha, no segundo turno.�

Sem tempo a perder, portanto. O Movimento deve estar em primeiro lugar, sem ser contra as Instituições, inclusive o governo, que deve ter, e vai ter, a mais ampla participação social e popular, com o povo no governo, o poder popular. Todas e todos, brasileiras e brasileiros, estão convocadas-os para esta tarefa histórica. Assim, será construída a paz no mundo, serão enfrentados os desafios climáticos, serão garantidos os direitos de trabalhadoras e trabalhadoras e vencidas a violência e a crise civilizatória dos tempos atuais.

Na boa luta, com fé e coragem, ESPERANÇAR. Ninguém solta a mão de ninguém. �

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do�Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Condenado por lesão corporal contra mulher fica inelegível, decide TSE

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta quinta-feira (29), que...

Feira do Livro de Porto Alegre começa nesta sexta com lançamentos, debates e sessões de autógrafos

A 72ª Feira do Livro de Porto Alegre começa nesta sexta-feira (30)...

“Ciclo eleitoral acabou e é hora de dialogar”, diz governador eleito do ES

O governador eleito do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira...

Estudantes convocam ato na avenida Paulista no domingo (1º) contra ameaças de Flávio Bolsonaro

Entidades estudantis e movimentos populares convocaram uma manifestação para o próximo domingo...