O reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias, em Minas Gerais, ultrapassou a marca de 95% de volume útil e reforçou o cenário de recuperação do sistema hídrico do Rio São Francisco neste mês de março. Já o reservatório de Sobradinho, no norte da Bahia, segue em alta e se aproxima de 80%, em meio à continuidade da recarga da bacia e à elevação do rio em trechos do Norte de Minas e da Bahia.
Na atualização mais recente da Cemig, às 21h de sábado, 15 de março, Três Marias aparecia com 95,58% de volume útil, nível de 571,86 metros, afluência de 1.497,02 metros cúbicos por segundo e defluência de 796,27 m³/s. Os dados mostram que o reservatório segue recebendo mais água do que libera, o que ajuda a explicar a continuidade da alta.
A evolução foi rápida ao longo da primeira quinzena do mês. Em 3 de março, Três Marias estava com 90,5% de volume útil. No dia 14, já havia subido para 95,3%. O avanço confirma a forte recuperação observada desde o fim de 2025 e início de 2026, impulsionada pelas chuvas nas cabeceiras e sub-bacias mineiras do São Francisco.
Mesmo com o armazenamento se aproximando de 100%, a Cemig, responsável pela gestão do reservatório, ainda não anunciou abertura de comportas. Até o momento, a operação segue sem esse tipo de medida extraordinária, mantendo a descarga controlada por meio da defluência operacional da usina. Uma equipe de meteorologia monitora e cruza dados meteorológicos para auxiliar na tomada de decisão sobre a regulação da vazão do rio.
Em Sobradinho, o quadro também é de recuperação. Na atualização diária mais recente disponível no site da Eletrobras/Chesf, referente a sábado (14), o reservatório registrava 78,9% de volume útil, com cota de 390,93 metros, afluência de 3.600 m³/s e defluência de 1.008,03 m³/s. No início do mês, em 3 de março, o volume era de 70,81%, o que mostra uma alta de mais de oito pontos percentuais em menos de duas semanas.
A leitura confirma a continuidade da recomposição do maior reservatório do Rio São Francisco, que voltou a ganhar volume com a entrada de água bem acima da vazão de saída. O ritmo de recuperação em Sobradinho ocorre depois de meses de armazenamento mais baixo, ainda que o nível atual permaneça um pouco abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Na comparação com 14 de março de 2025, Três Marias está em situação mais confortável. Naquela data, o reservatório mineiro tinha 81,44% de volume útil, bem abaixo dos 95,58% atuais. Em Sobradinho, o comportamento é diferente: há um ano, o reservatório estava com 83,42%, percentual superior aos 78,9% agora observados.
A melhora nos grandes reservatórios acontece ao mesmo tempo em que o Rio São Francisco ainda inspira atenção em cidades ribeirinhas do Norte de Minas Gerais e da Bahia. De acordo com o boletim mais recente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o rio está em leve elevação no trecho a jusante do pico de cheia registrado no início do mês.
O cenário atual é de maior estabilidade em São Francisco, no Norte de Minas, e de elevação nos postos localizados rio abaixo. O boletim aponta que os níveis continuam em cota de atenção em Pedras de Maria da Cruz, em Januária, além de Carinhanha e Bom Jesus da Lapa, na Bahia.
Em Pedras de Maria da Cruz, o nível estava em 565 centímetros na noite de 15 de março, acima da cota de alerta de 500 cm, com previsão de atingir 594 cm na noite desta segunda-feira, 16. Em Carinhanha, o rio chegou a 449 cm, superando a cota de alerta de 440 cm, e pode alcançar 463 cm. Já em Bom Jesus da Lapa, o nível foi medido em 606 cm, com previsão de chegar a 623 cm, muito perto da cota de inundação, que é de 625 cm.
No município de São Francisco, por outro lado, o nível estava em 587 cm, abaixo da cota de alerta local, que é de 640 cm. Esse comportamento reforça a avaliação de que a onda de cheia já perdeu força em trechos a montante e continua avançando gradualmente para áreas mais a jusante.
A combinação entre reservatórios em recuperação e rio ainda elevado em cidades ribeirinhas mostra que a bacia segue sob monitoramento. Em Três Marias, o armazenamento alto amplia a segurança hídrica e energética no principal reservatório de regularização do São Francisco. Em Sobradinho, a alta do volume também melhora as condições do sistema, com reflexos para a operação hidrelétrica e para a gestão das vazões no semiárido.
A previsão até o fim de março indica manutenção das chuvas sobre grande parte da bacia. Os maiores acumulados são esperados para as regiões Central, Centro-Oeste e Noroeste de Minas Gerais, onde os volumes podem passar de 100 milímetros no período. Para o Norte de Minas, o Centro-Sul e o Vale São-Franciscano da Bahia, a previsão ainda traz incertezas, com acumulados entre 50 e 90 mm. No Oeste baiano, os volumes também podem chegar a 100 mm.
Esse cenário tende a manter a recarga dos reservatórios e a sustentar vazões elevadas no Rio São Francisco nas próximas semanas. Ao mesmo tempo, a persistência das chuvas exige atenção contínua nas áreas ribeirinhas que já convivem com níveis altos, especialmente entre o Norte de Minas e a Bahia.













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