Tradição religiosa volta a ser alvo de debates nas redes sociais entre defensores do costume e moradores que questionam os impactos do barulho.
A alvorada que marca o início das festividades em honra à Senhora Sant’Ana, padroeira da cidade de Caetité (BA), reacendeu um debate antigo: o uso de fogos de artifício durante a madrugada. A prática tradicional da Igreja Católica voltou a dividir opiniões nas redes sociais após uma publicação da Catedral de Caetité celebrar o início dos festejos, acompanhada de vídeos e imagens das comemorações.
O post oficial recebeu centenas de curtidas e comentários celebrando a ocasião. “A magia de julho, na minha terra! Viva S’Antana!”, escreveu uma usuária. “Que lindo, viva senhora Sant’Ana”, comentou outra. Para muitos devotos, o som dos foguetes logo cedo é sinônimo de fé e identidade cultural.
Contudo, parte da população demonstrou descontentamento. Os principais argumentos dizem respeito ao barulho em horários sensíveis e à falta de empatia com pessoas idosas, doentes, autistas ou que precisam dormir por motivos de trabalho. “E vem esse povo soltar fogos 4h da manhã. Ah, mas é tradição? Não. É falta de bom senso mesmo”, escreveu uma internauta. Outro seguidor afirmou: “Sou católico e devoto, acho a festa linda, porém sou contra os fogos. Não só na festa religiosa, mas em qualquer outra que seja.”
A discussão ganhou fôlego após um seguidor perguntar sobre a necessidade da prática: “Viva! Mas qual a necessidade dos fogos mesmo?”, questionou. Em resposta, defensores da tradição rebateram com veemência. Uma usuária alegou que “só estão reclamando porque é da Igreja”, e que “se fosse festa mundana, não aparecia ninguém na internet pra reclamar”.
Internautas apontaram o que consideram ser uma contradição nos argumentos contrários aos foguetes. “Quando o paredão está tocando às 4h da manhã ou a banda está no palco, ninguém reclama? E os fogos das bandas, não incomodam?”, questionou uma comentarista.
Para outro internauta, que também comentou na publicação, o momento tem valor simbólico e emocional: “É muita nostalgia boa, desde criança tendo essa sensação. Dá aquela sensação de que nossas tradições estão vivas em nossa pequena cidade.”
A prática de soltar fogos durante as alvoradas religiosas é antiga em várias regiões do país, especialmente no interior nordestino. Apesar disso, vem sendo cada vez mais debatida à luz de temas como bem-estar coletivo, acessibilidade sensorial e respeito à legislação de ruído urbano.
Até o momento, a Paróquia de Caetité não emitiu nota oficial sobre o caso, mas o debate evidencia um dilema comum em muitas cidades brasileiras: como preservar tradições religiosas e culturais sem deixar de considerar os impactos sociais que elas provocam.















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