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Inmet divulgou Agroclimatológico com previsão para o trimestre março-abril-maio

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O Boletim Agroclimatológico Mensal de março de 2026, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no dia 10 de março, aponta que o trimestre março-abril-maio deve ser marcado por chuva abaixo da média em grande parte do Nordeste, temperaturas acima do padrão histórico em várias áreas do país e impactos distintos para lavouras, pastagens e manejo no campo.

O documento também indica maior regularidade das chuvas no Norte, manutenção de umidade elevada em parte do Centro-Oeste e do Sul e avanço da restrição hídrica em áreas do Sudeste e do semiárido nordestino.

Produzido pelo Inmet com foco nas atividades agropecuárias, o boletim reúne a análise do que foi observado em fevereiro, o prognóstico climático para os próximos três meses e a avaliação das condições oceânicas que influenciam o comportamento da atmosfera sobre o Brasil. Pelos mapas e textos técnicos do documento, o cenário projetado mistura áreas com excesso de umidade, que podem dificultar colheitas e operações mecanizadas, e regiões com déficit hídrico, onde aumenta o risco para culturas de sequeiro e para a manutenção das pastagens.

Previsão por Região

Norte

Na Região Norte, a previsão indica chuvas próximas ou abaixo da média no Marajó e no sul do Tocantins, com volumes até 50 milímetros inferiores ao normal, enquanto Amazonas, Pará, Roraima, Acre e centro do Amapá devem registrar precipitações acima da média, com desvios que podem chegar a 100 milímetros.

As temperaturas tendem a ficar próximas da climatologia em grande parte da região, mas com elevação de até 1°C em áreas de Tocantins, Rondônia, Acre, sudoeste e sul do Amazonas e sudeste do Pará. A expectativa é de armazenamento hídrico do solo acima de 80% na maior parte da região, favorecendo o milho segunda safra e a manutenção das pastagens.

Por outro lado, o excesso de umidade pode gerar restrições pontuais à colheita e elevar o risco fitossanitário. No sul do Tocantins, o boletim prevê queda da umidade do solo até maio e ampliação do déficit hídrico, cenário que pode reduzir o crescimento das forrageiras.

Nordeste

No Nordeste, o quadro é mais restritivo. O Inmet prevê chuva abaixo da média na maior parte da região, com anomalias negativas mais intensas no litoral do Rio Grande do Norte, Paraíba e no nordeste da Bahia, onde os volumes podem ficar até 100 milímetros abaixo da média histórica. A exceção aparece no centro-norte do Maranhão e no centro do Piauí, com previsão de chuva acima da média.

As temperaturas devem permanecer acima do normal em quase toda a região, com desvios entre 0,25°C e 1°C, sobretudo no sul do Maranhão, sudoeste do Piauí, Bahia e áreas do Agreste paraibano e pernambucano. O boletim projeta ampliação das áreas com armazenamento hídrico inferior a 30%, com déficit mais forte em abril e áreas críticas no sudoeste do Piauí, oeste de Pernambuco e Vale do São Francisco baiano, onde a deficiência pode chegar a 130 milímetros em maio.

Esse cenário pode comprometer lavouras de sequeiro, como milho e feijão de primeira safra, aumentar a demanda por irrigação na fruticultura do Vale do São Francisco e reduzir o crescimento da forragem no semiárido. Em contraste, norte do Maranhão, norte do Piauí e Ceará devem manter níveis mais altos de umidade, favorecendo lavouras de sequeiro, fruticultura regional e pastagens.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, a tendência é de chuvas próximas ou acima da média em Mato Grosso, centro-sul de Goiás e norte de Mato Grosso do Sul. Já o sul sul-mato-grossense, leste de Mato Grosso, norte de Goiás e o Distrito Federal devem ter precipitações até 30 milímetros abaixo da média.

As temperaturas ficam acima do padrão em toda a região, com desvios positivos de até 1°C. Em março, a previsão ainda aponta umidade do solo acima de 80% em grande parte da região, condição favorável à manutenção das lavouras. A partir de abril, porém, cresce a área com estoques de água inferiores a 60%, com maior intensificação em maio.

Nesse período, déficits de até 60 milímetros podem atingir áreas do sudoeste, norte e nordeste de Mato Grosso, além do leste de Goiás, afetando o desenvolvimento do milho safrinha e reduzindo o potencial produtivo de culturas em fases vegetativa e reprodutiva. Em contrapartida, a maior disponibilidade de água em março e abril tende a favorecer o estabelecimento inicial de culturas de segunda safra e o desenvolvimento do algodão e das pastagens em parte da região.

Sudeste

No Sudeste, o boletim projeta chuva abaixo da média no centro-norte de Minas Gerais, sudoeste de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, com destaque para o nordeste mineiro, onde os volumes podem ficar até 50 milímetros abaixo do padrão. Nas demais áreas, a tendência é de chuva próxima da média.

As temperaturas devem ficar acima da normal climatológica em toda a região. Em março, a maior parte do Sudeste ainda deve apresentar armazenamento hídrico acima de 70%, com exceção do norte de Minas, norte do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Em abril e maio, o quadro de redução da umidade do solo se amplia para outras áreas, como oeste e noroeste paulista e centro mineiro. O início do trimestre ainda é considerado favorável para milho, feijão, algodão e semeaduras de trigo sequeiro em Minas Gerais e São Paulo, mas a restrição hídrica prevista para maio pode atingir culturas de segunda safra em fase crítica, com risco de redução do número e do peso dos grãos.

Sul

Na Região Sul, a previsão é de chuva dentro da média em grande parte do Rio Grande do Sul e no leste do Paraná. Em contrapartida, o norte gaúcho, Santa Catarina e grande parte do Paraná devem registrar precipitações abaixo do normal, com desvios de até 50 milímetros no oeste catarinense e sudoeste paranaense.

As temperaturas ficam acima da média em toda a região, com desvios superiores a 1°C em áreas do centro, fronteira oeste e campanha do Rio Grande do Sul. O boletim indica melhora gradual da umidade do solo no território gaúcho ao longo do trimestre e manutenção de níveis elevados no restante da região. Essa condição tende a favorecer culturas de segunda safra, como milho, batata e feijão no Paraná, além de melhorar o desenvolvimento da soja semeada tardiamente no Rio Grande do Sul.

Por outro lado, a previsão de excedentes hídricos mais amplos em abril e maio pode apertar a janela de colheita da soja e do arroz irrigado, com impacto nas operações agrícolas e na qualidade do produto.

Condições oceânicas

No capítulo sobre condições oceânicas, o Inmet informa que o Atlântico Tropical apresentou, em fevereiro, um dipolo levemente negativo. A anomalia da temperatura da superfície do mar foi de 0,22°C no Atlântico Tropical Norte e de 0,42°C no Atlântico Tropical Sul. Segundo o boletim, esse padrão favorece o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical mais para o sul da posição climatológica, aumentando a chance de chuvas ao longo da costa norte do Nordeste e no leste da Amazônia.

No Pacífico Equatorial, o boletim mostra leve resfriamento das águas nas porções central e oeste e aquecimento próximo à costa oeste da América do Sul. Na região Niño 3.4, usada como referência para o monitoramento do El Niño-Oscilação Sul, a anomalia média de fevereiro foi de -0,2°C, valor que ainda se enquadra em condição de neutralidade.

A análise do modelo do International Research Institute for Climate and Society, reproduzida no boletim, aponta transição das condições de La Niña para neutralidade no trimestre março-abril-maio, com probabilidade de 90%. Para abril-maio-junho, a chance de manutenção do quadro neutro é estimada em cerca de 65%.

Condições observadas em fevereiro

No resumo das condições observadas em fevereiro, o Inmet destaca que o mês foi marcado por chuvas regulares em grande parte do país, com maiores acumulados nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, onde os totais mensais superaram 200 milímetros em amplas áreas. Esse padrão ajudou a manter a umidade do solo acima de 70% em boa parte dessas regiões. Em sentido oposto, a Zona da Mata de Pernambuco, Alagoas, norte de Roraima e sudoeste do Rio Grande do Sul registraram volumes menores, com armazenamento hídrico mais baixo e maior restrição de água no solo.

Ainda segundo o boletim, o Norte teve áreas com excesso de umidade e possibilidade de encharcamento temporário, mas também condições favoráveis para soja e milho de primeira safra no Tocantins e sudeste do Pará. No Nordeste, os maiores acumulados se concentraram em Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e oeste da Bahia, beneficiando o MATOPIBA, enquanto áreas do Vale do São Francisco, nordeste baiano, Sergipe, Alagoas e Zona da Mata pernambucana seguiram com baixa umidade no solo.

No Centro-Oeste, o excesso de chuva restringiu a colheita da soja e o avanço da semeadura do milho segunda safra em alguns pontos. No Sudeste, episódios de chuva intensa estiveram associados a deslizamentos, transbordamentos e enchentes. Já no Sul, a irregularidade das precipitações manteve perdas na soja no oeste e noroeste do Rio Grande do Sul.

O boletim também aponta que fevereiro teve temperaturas máximas médias acima de 30°C em áreas das regiões Norte, Nordeste e em partes do Centro-Oeste, Sudeste e oeste do Sul. Ao mesmo tempo, a maior nebulosidade impediu aquecimento mais intenso em parte do Sudeste e do Sul. Com isso, o cenário que se desenha para os próximos meses combina calor acima da média em quase todo o país, contrastes importantes na distribuição das chuvas e um impacto direto sobre o planejamento da produção agrícola, especialmente nas áreas dependentes de chuva e nas regiões com colheita em andamento.

Veja o boletim completo



Com informações do Agência Sertão

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