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Inmet divulga previsão do tempo para o outono em todo o país

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O outono de 2026 começa às 11h45 desta sexta-feira, 20 de março, e seguirá até 21 de junho, às 5h25, pelo horário de Brasília. Para o trimestre de abril, maio e junho, o prognóstico climático divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em conjunto com o Inpe, indica um cenário de redução das chuvas no interior do Brasil, avanço do calor acima da média em praticamente todas as regiões e maior atenção para áreas agrícolas do Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Na Bahia, a tendência é de condições menos favoráveis para chuva ao longo do outono, no entanto, há precipitações previstas para os primeiros dia estação.

Segundo a nota técnica, o outono é uma estação de transição entre o verão quente e úmido e o inverno mais frio e seco, sobretudo no Brasil central. Nesse período, as chuvas costumam diminuir no interior do país, em especial no semiárido nordestino. Ao mesmo tempo, a porção norte das regiões Norte e Nordeste ainda mantém volumes importantes de precipitação por influência da atividade convectiva tropical e da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

A estação também marca o começo de fenômenos típicos, como nevoeiros no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, geadas no Sul, Sudeste e Mato Grosso do Sul, possibilidade de neve nas áreas serranas do Sul e episódios de friagem em partes do Norte e do Centro-Oeste.

No mapa de anomalias apresentado no prognóstico, o contraste aparece de forma clara: a faixa norte do país tende a concentrar os maiores sinais de chuva acima da média, enquanto áreas do Nordeste interiorano, do Sudeste e principalmente do Sul aparecem com tendência mais seca. Já no campo das temperaturas, o desenho predominante é de valores acima da média climatológica em quase todo o território nacional, com aquecimento mais pronunciado em trechos do Centro-Sul.

Previsão para a Região Norte

Para a Região Norte, a previsão é de predomínio de chuvas acima da média histórica na maior parte dos estados ao longo do trimestre abril-maio-junho. As exceções ficam por conta do Amapá, do centro-norte de Rondônia, do centro-sul do Tocantins e de porções do sul do Amazonas e do Pará, onde a tendência é de volumes próximos da média. Em relação às temperaturas, o Inmet projeta valores acima do normal em praticamente toda a região, com desvios que podem chegar a 1°C acima da média no sudeste do Pará e no oeste do Tocantins.

Do ponto de vista dos impactos, esse cenário tende a favorecer lavouras já estabelecidas, como o milho segunda safra, além de contribuir para a manutenção das pastagens e da vegetação natural em boa parte do Norte. Ainda assim, o acompanhamento local segue importante porque o comportamento das chuvas dentro de cada estado pode variar ao longo dos meses.

Previsão para o Nordeste, com destaque para a Bahia

No Nordeste, o prognóstico aponta condições ligeiramente desfavoráveis às chuvas em grande parte da região. O destaque negativo é justamente para a Bahia, além do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Por outro lado, o Maranhão e o norte do Piauí devem registrar chuvas acima da climatologia, favorecidos pela atuação da ZCIT em posição mais ao sul do que o normal. Para as temperaturas, a previsão é de valores acima da média histórica em toda a região, embora a costa norte, especialmente no norte do Maranhão, Piauí e Ceará, possa ter condições mais amenas.

Para a Bahia, o cenário merece atenção especial porque o estado aparece entre os mais suscetíveis à redução das chuvas no trimestre. Isso tem peso tanto para o semiárido quanto para as áreas do oeste baiano inseridas no Matopiba, onde a combinação entre menos chuva e temperaturas mais altas pode acelerar a perda de umidade do solo. Na prática, isso aumenta o risco de restrição hídrica em fases importantes do ciclo produtivo e pode afetar o desempenho de lavouras de segunda safra.

O documento destaca de forma específica que, no Matopiba — região que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, a previsão de chuva abaixo da média associada a calor acima do normal, sobretudo no oeste baiano, pode reduzir os níveis de água no solo em razão da maior evapotranspiração. Entre as culturas potencialmente mais sensíveis nesse contexto estão o milho e o algodão.

Previsão para o Centro-Oeste

No Centro-Oeste, a diminuição das chuvas a partir de abril já é uma característica típica da transição entre a estação chuvosa e a seca. Para este outono, a tendência é de precipitação próxima da média em grande parte de Goiás e Mato Grosso, enquanto Mato Grosso do Sul deve ter predomínio de chuva abaixo da média. As temperaturas, por sua vez, devem ficar acima da média histórica em toda a região.

Na agricultura, a combinação entre menos chuva e calor acima do normal pode reduzir a umidade do solo e favorecer episódios de estresse hídrico, sobretudo em áreas com solos de menor capacidade de retenção de água. O risco é maior para lavouras de segunda safra que estejam em fases reprodutivas, quando a demanda por água é mais sensível.

Previsão para o Sudeste

No Sudeste, o prognóstico indica chuvas abaixo da média em todo o estado de São Paulo e em grande parte de Minas Gerais. Nas demais áreas da região, a tendência é de volumes próximos da média histórica. Ainda assim, o Inmet ressalta que o leste do Sudeste pode ter episódios de chuva mais volumosa por causa do avanço de frentes frias, que podem aumentar a instabilidade atmosférica em alguns períodos.

As temperaturas devem permanecer acima da média climatológica nos próximos meses, embora não esteja descartada a entrada de massas de ar frio capazes de provocar quedas mais acentuadas, principalmente em áreas de maior altitude. No setor agrícola, a preocupação é semelhante à observada no Centro-Oeste: menos chuva e maior evapotranspiração podem comprometer a umidade do solo e limitar o potencial produtivo das lavouras de segunda safra.

Previsão para o Sul

A Região Sul deve atravessar um outono mais seco do que o habitual. A previsão indica chuvas abaixo da média histórica em toda a região, com desvios negativos mais expressivos no Paraná e em Santa Catarina. Em relação às temperaturas, o prognóstico aponta valores acima da média em todo o Sul, com aquecimento mais forte em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Mesmo assim, o avanço de massas de ar frio continua no radar, principalmente para as áreas mais elevadas.

No campo, esse cenário pode reduzir os níveis de água no solo, com maior impacto justamente em Paraná e Santa Catarina. O documento alerta que isso pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras de segunda safra, limitar o estabelecimento inicial das culturas de inverno e até atrasar operações de semeadura em algumas localidades.

84,6% de probabilidade de evolução para condições de El Niño

O prognóstico também chama atenção para o comportamento do Pacífico Equatorial. Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, a área de monitoramento do ENOS na região Niño 3.4 apresentou anomalias inferiores a -0,5°C, caracterizando o estabelecimento de La Niña. No entanto, entre fevereiro e o início de março, essas anomalias perderam força, sinalizando evolução para neutralidade.

De acordo com a previsão probabilística do APEC Climate Center citada no boletim, há 84,6% de probabilidade de evolução para condições de El Niño ao longo do trimestre abril-maio-junho de 2026. O próprio documento ressalta, porém, que o clima no Brasil não depende apenas do ENOS e que outros fatores atmosféricos e oceânicos também interferem no comportamento das chuvas e das temperaturas. Por isso, a recomendação é acompanhar as atualizações dos próximos boletins e avisos meteorológicos.

Veja o prognóstico completo para o outono



Com informações do Agência Sertão

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