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Em meio à tensão, quais autoridades de Cuba estariam negociando com os EUA?

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O presidente Donald Trump afirmou repetidamente que os Estados Unidos estão em negociações com representantes cubanos de alto nível e que Cuba estaria ansiosa para chegar a um acordo, atenuando as tensões entre os dois vizinhos que agravaram a crise econômica da ilha.

Algumas notícias veiculadas pela imprensa americana apontam que autoridades americanas estariam em negociações com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente cubano Raúl Castro, que tem 94 anos e ainda exerce grande influência.

A principal diplomata de Cuba nos EUA, Lianys Torres Rivera, disse que o governo está “pronto para dialogar com os EUA” sobre as relações bilaterais. Mas deixou claro que a soberania e o direito de autodeterminação do país precisam ser respeitados, segundo o jornal americano Los Angeles Times.

“Estamos certos de que é possível encontrar uma solução”, disse Rivera.

As negociações entre ambos os países ocorrem ao mesmo tempo em que os Estados Unidos intensificaram suas sanções econômicas contra Cuba, impondo um bloqueio quase total de petróleo à ilha caribenha.

Isso aconteceu depois de forças americanas capturarem o presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, removendo do poder um aliado crucial de Cuba.

Raúl Castro está no comando?

Raúl Castro lutou ao lado de seu irmão mais velho, Fidel, na revolução cubana em 1959 e serviu como leal ministro da Defesa por décadas.

Ele chegou à presidência de forma interina em 2006, quando Fidel adoeceu. Dois anos depois, assumiu o cargo definitivamente após a aposentadoria do irmão. Com a morte de Fidel em 2016, Raúl assumiu o papel de líder unificador entre os leais à revolução cubana.

Ele ainda exerce influência mesmo depois de deixar a presidência em 2018 e a liderança do Partido Comunista em 2021, ostentando desde então o título honorífico de general do exército.

Quem chegaria ao topo do poder cubano posteriormente seria Miguel Díaz-Canel. Em sua cerimônia de posse em 2018, o então presidente afirmou que Raúl Castro “liderará as decisões mais importantes para o presente e o futuro da nação”.

Em uma demonstração clara de seu poder, em dezembro de 2025, Raúl Castro propôs o adiamento do congresso partidário que definiria o sucessor de Díaz-Canel – algo que foi prontamente atendido pelo Comitê Central, de forma unânime.

Quem é Raul Guillermo Rodriguez Castro?

Conhecido como “el Cangrejo” (o Caranguejo), Raúl Guillermo Rodríguez Castro, de 41 anos, é amplamente considerado um dos confidentes mais próximos de seu avô, Raúl Castro.

Como ex-guarda-costas dele, Rodriguez Castro esteve ao lado do avô durante toda a presidência dele, às vezes vestido com o uniforme militar do Ministério do Interior. Há relatos de que ele possui a patente de tenente-coronel.

O governo cubano não respondeu a um pedido de esclarecimento sobre a biografia de Rodríguez Castro ou seu possível papel nas negociações.

Rodríguez Castro é filho de Débora Castro Espín, filha de Raúl Castro, e do falecido General Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, que chefiava o conglomerado militar GAESA.

Durante a presidência de Raúl Castro, a Gaesa (Grupo de Administração Empresarial) assumiu o controle das empresas mais importantes do Estado, incluindo hotéis, bancos, além de companhias de logísticas e partes do varejo. Rodríguez López-Calleja faleceu de um ataque cardíaco em 2022, aos 62 anos. Reportagens da mídia sugerem que Rodríguez Castro pode ter assumido algum papel na empresa de seu falecido pai.

Essa linhagem coloca Rodríguez Castro na interseção entre a liderança política de Cuba e sua instituição econômica mais poderosa, tornando-o um intermediário potencialmente importante para Washington.

O jornal Axios, citando três fontes não identificadas, noticiou em 18 de fevereiro que Rodríguez Castro estava em conversas secretas com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

O Miami Herald, também citando fontes não identificadas, noticiou em 26 de fevereiro que autoridades próximas a Rubio se reuniram com Rodríguez Castro à margem de uma conferência regional da Comunidade Caribenha em São Cristóvão e Névis.

O deputado americano Mario Díaz-Balart declarou ao Herald que o governo Trump mantém conversas secretas de alto nível com várias pessoas do círculo íntimo de Raúl Castro.

E o “el Carangejo”?

Se “el Cangrejo” estiver atuando como um elo informal entre Havana e Washington, ele estaria desempenhando um papel semelhante ao de seu tio e filho de Raúl Castro, Alejandro Castro Espín.

Espín conduziu negociações então secretas, marcando uma grande mudança dos Estados Unidos em relação a Cuba durante a presidência de Barack Obama.

Os laços familiares parecem ter importância. Nenhum dos Castros mais jovens ocupou um cargo diplomático. Raúl Castro, por sua vez, havia sido confidente e conselheiro de seu irmão mais velho, Fidel.

Acredita-se que Alejandro Castro Espin, de 60 anos, tenha sido marginalizado após a saída de seu pai do cargo, embora o coronel do Ministério do Interior possa ter ascendido ao posto de general de uma estrela.

O futuro de Cuba

Em declarações à imprensa à margem de um encontro da Comunidade Caribenha em São Cristóvão e Névis, no final de fevereiro, Marco Rubio se referiu à crise em Cuba.

“Cuba precisa mudar. Precisa mudar. E não precisa mudar tudo de uma vez. Não precisa mudar de um dia para o outro. Todos aqui são maduros e realistas”, disse Rubio no mês passado.

Eles precisam fazer reformas drásticas. E se quiserem fazer essas reformas drásticas que abram espaço para a liberdade econômica e, eventualmente, política para o povo de Cuba, obviamente os Estados Unidos adorariam ver isso”, acrescentou.

Diana Correa, diretora do programa de relações internacionais do Tecnológico de Monterrey, afirmou que, em meio à crise em Cuba, muitos cidadãos veem a presença crescente de Rodríguez Castro como um indício de que uma mudança de governo pode estar a caminho, enquadrada em negociações com os EUA.

“Muitos estão dizendo agora que se trata, de fato, de uma mudança geracional, com a pessoa assumindo o controle, mesmo que seja nos bastidores, mas ainda assim controlando as operações”, disse ela.

“Ao ter Castro negociando, pelo menos externamente, parece que estão sinalizando que a negociação é séria, porque essa pessoa representa todo o poder do Estado”, concluiu Correa.



Fonte: CNN Brasil, todos os direitos reservados

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