A gasolina ficará novamente mais cara na Bahia a partir desta terça-feira, 10 de março. Segundo os valores informados pela Acelen para embarque em São Francisco do Conde, a gasolina A passa de R$ 2,8345 para R$ 3,0518 por litro. O reajuste desta rodada é de R$ 0,2173 por litro, o equivalente a 7,7%. Nos pontos de distribuição da Bahia, o diesel S500 e o diesel S10 não tiveram novo aumento nesta atualização.
O novo movimento aprofunda a sequência de altas iniciada na semana passada. Em 5 de março, a gasolina A já havia subido de R$ 2,5370 para R$ 2,8370 por litro, uma alta de 11,8%. Somados os dois reajustes, o preço da gasolina A avançou R$ 0,5148 por litro desde o patamar anterior à escalada mais recente do conflito, o que representa alta acumulada de 20,3%. Em outras palavras, o segundo reajuste foi menor que o primeiro, mas consolidou um salto expressivo em menos de uma semana.
No diesel, a fotografia desta terça-feira é de estabilidade apenas parcial. Embora S10 e S500 não tenham sido reajustados agora nos locais de distribuição baianos, os aumentos anunciados na rodada anterior seguem pesando. Em relação aos preços anteriores à crise, o diesel S10 acumula alta de R$ 0,9041 por litro, ou 27,6%, enquanto o S500 registra avanço de R$ 0,9032 por litro, ou 28,4%. Isso significa que o diesel deixou de subir nesta data, mas continua em um novo patamar bem acima do observado antes da disparada internacional do petróleo.
O pano de fundo é a forte tensão no mercado internacional de energia. Após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, com risco de desorganização do fluxo de petróleo no Oriente Médio e no Estreito de Ormuz, o barril do Brent disparou. Na segunda-feira, 9 de março, o Brent chegou a US$ 119,50 no pico intradiário e ainda era negociado perto de US$ 97 no meio da tarde, depois de ter fechado a US$ 68,05 em 6 de fevereiro e de ter girado em torno de US$ 60 no início do ano. Na prática, isso representa alta de cerca de 61,7% a 99,1%, a depender do ponto de comparação.
Esse choque externo ajuda a explicar por que a Refinaria de Mataripe, operada pela Acelen, reajustou preços antes da Petrobras. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a companhia não pretende repassar volatilidades bruscas imediatamente ao mercado interno.
Ao mesmo tempo, a defasagem entre os preços praticados pela Petrobras e a paridade de importação se ampliou: na abertura do mercado de 9 de março, a gasolina estava 49% abaixo da referência internacional, o equivalente a R$ 1,22 por litro, e o diesel, 85% abaixo, ou R$ 2,74 por litro, segundo dados citados com base na Abicom. Esse ambiente pressiona importadores e refinarias privadas, que tendem a reagir mais rápido às oscilações do Brent e do câmbio.
Para o consumidor, o reajuste está sendo imediato, com impacto ainda maior nas bombas. Apesar da Acelen vender gasolina A, enquanto o produto que chega às bombas é a gasolina C, misturada com etanol anidro. Na prática, o valor final também é impactado pelo frete, incidência de impostos, concorrência local e política comercial de cada posto.
A última fotografia oficial disponível da ANP ainda não capta totalmente esse novo cenário. Na semana de 1º a 7 de março, o preço médio da gasolina comum no país foi de R$ 6,30 por litro, e em Salvador o valor médio ficou em R$ 6,19. Como essa coleta antecede os reajustes, pegou apenas parte dos efeitos do aumento de 5 de março, a próxima leitura tende a mostrar com mais nitidez a pressão nas bombas, especialmente na Bahia, onde Mataripe tem peso direto na formação de preços.
Nos postos em várias regiões do estado, a gasolina já custa mais de R$ 7,00 e o diesel chega a até R$ 7,50 por litro.
O novo aumento da gasolina na Bahia, portanto, não é um movimento isolado, mas parte de uma cadeia de transmissão que começa no conflito geopolítico, passa pela disparada do Brent, pressiona a paridade de importação e chega às refinarias com velocidade maior nas empresas que seguem mais de perto o mercado internacional.
Enquanto a Petrobras ainda segura reajustes, a Acelen já repassou parte relevante dessa pressão. Para o motorista baiano, o efeito mais visível é que a gasolina sai de uma sequência de altas com avanço acumulado de 20,3% na refinaria, e o espaço para alívio no curto prazo dependerá basicamente de dois fatores: uma acomodação do petróleo no mercado global ou uma redução da tensão militar na região do Golfo.













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